Google disse em julho de 2026 que divulgaria automaticamente anúncios feitos com suas ferramentas de publicidade de IA generativa. A empresa já havia começado a inserir posicionamentos patrocinados no AI Mode que se assemelham a citações em suas respostas. Um rótulo identifica como um anúncio foi feito; o outro sinaliza um posicionamento pago. A Getty Images está licenciando seu catálogo para ferramentas de criação de anúncios e para a busca do ChatGPT.
Principais pontos
- Adobe, Twitter e The New York Times Company anunciaram a Content Authenticity Initiative em 2019.
- A BRIA, apoiada pela Getty, diz que seu negócio de geração é construído sobre mais de 1 bilhão de imagens licenciadas de 18 provedores de bancos de imagens.
- A Getty licenciou sua biblioteca de imagens para a OpenAI usar em recursos de busca e descoberta do ChatGPT em junho de 2026.
- A Getty encerrou sua proposta de fusão de US$ 3,7 bilhões com a Shutterstock em julho de 2026, depois que a CMA do Reino Unido exigiu que a Shutterstock vendesse seu negócio editorial.
- As ações da Getty subiram cerca de 200% no pré-mercado depois que o acordo de licenciamento com a OpenAI foi anunciado em 22 de junho de 2026.
Uma página de resultados de busca pode colocar um anúncio em sua própria caixa e deixar os links orgânicos em outra. Um mecanismo de respostas fala com uma única voz sintetizada, mesmo quando recorre a material recuperado e apresenta uma recomendação paga. Nesse ambiente, a procedência não pode continuar sendo um certificado verificado após a publicação. Ela precisa se tornar uma regra ativa de interface, que identifique separadamente patrocínio, material gerado ou alterado, direitos de uso de imagem e as fontes que sustentam alegações factuais enquanto o operador monta a resposta.
A fronteira da busca encolheu para um rótulo dentro da resposta
A política de divulgação do Google começou com uma questão mais restrita. Em 2023, a empresa planejava divulgações destacadas para anúncios eleitorais que contivessem imagens, vídeo ou áudio de IA generativa. A ampliação de julho de 2026 abrange anúncios feitos com as ferramentas de publicidade de IA do Google além das eleições. Ela não estabelece, por si só, que uma recomendação do AI Mode tenha boas fontes, nem que todo anúncio feito por IA na internet receba um rótulo.
A própria sequência do Google mostra por que política e apresentação precisam permanecer distintas. Em outubro de 2025, a empresa lançou um anúncio gerado por IA para o AI Mode sem um rótulo que identificasse o uso do Veo 3 e de outras ferramentas generativas. A política posterior marca uma mudança no que o Google diz que divulgará, não a prova de que os usuários já conseguem identificar todo tipo de envolvimento de IA em todos os contextos. Enquanto isso, o rótulo “patrocinado” do AI Mode tem outra função: separar um posicionamento pago das citações às quais ele se assemelha visualmente.
O Snap levou o encontro comercial mais para dentro da conversa quando lançou os Sponsored Snaps em abril de 2026. Um usuário pode conversar com um agente de IA específico de uma marca na aba Chat do Snapchat e receber recomendações de produtos. Esse formato torna concreto o papel da plataforma de mensagens como guardiã do acesso de agentes de IA: a plataforma define os termos pelos quais uma marca entra em uma conversa, enquanto o usuário encontra a recomendação como uma resposta. Um diálogo fluente pode fazer a orientação parecer mais autoritativa do que sua origem comercial justifica.
Uma imagem assinada não pode identificar uma recomendação paga
Adobe, Twitter e The New York Times Company anunciaram a Content Authenticity Initiative em 2019 para desenvolver atribuição de conteúdo digital. A C2PA posteriormente forneceu uma forma criptográfica de codificar informações sobre a origem e o histórico de um arquivo de mídia. As duas iniciativas abordavam uma questão real: de onde veio este conteúdo e o que aconteceu com ele? Uma interface de respostas acrescenta perguntas que um arquivo de mídia não consegue resolver sozinho.
Considere quatro alegações que um operador pode precisar fazer sobre um resultado. “Patrocinado” identifica uma relação comercial. “Gerado” ou “alterado” descreve como o visual foi produzido. “Licenciado” diz respeito à permissão para um uso específico. Uma citação aponta para material que pode sustentar uma afirmação factual. Uma fotografia pode ter um registro de origem válido e ainda assim aparecer ao lado de uma alegação sem suporte; uma imagem licenciada pode estar em um posicionamento pago sem que a licença explique quem comprou esse posicionamento.
A exigência da Amazon de que vendedores terceirizados rotulem anúncios de produtos com pessoas geradas por IA ilustra a distinção. O rótulo responde a uma lei de Nova York sobre artistas sintéticos. Ele diz algo sobre a pessoa retratada, não se as alegações sobre o produto do vendedor são verdadeiras ou se o anúncio é patrocinado. Reunir essas divulgações em um único selo genérico de “IA” descartaria as distinções que as regras pretendem preservar.
A Getty está levando a permissão para as ferramentas que usam suas imagens
A Getty Images antes tinha uma transação relativamente legível para administrar: um cliente buscava uma imagem e permissão para usá-la. Ferramentas generativas separam os momentos de seleção, alteração e exibição. Os acordos da Getty colocam seu catálogo mais perto de cada um desses momentos, embora os anúncios publicados não estabeleçam um único sistema de verificação de direitos entre eles.
Getty e Nvidia concordaram em desenvolver ferramentas de IA treinadas com imagens de banco da Getty. A BRIA, apoiada pela Getty, construiu seu negócio de geração em torno de mais de um bilhão de imagens licenciadas de 18 provedores de bancos de imagens. Em novembro de 2024, o TikTok adicionou conteúdo da Getty ao Symphony Creative Studio voltado a anunciantes. Em junho de 2026, a Getty licenciou sua biblioteca para a OpenAI usar em recursos de busca e descoberta do ChatGPT. Fornecimento para treinamento, criação de anúncios e exibição em buscas são usos diferentes; não se deve presumir que uma permissão para um deles cubra os outros.
A abertura estratégica da Getty, portanto, é mais precisa do que “imagens para IA”. Um anunciante que seleciona uma imagem dentro de uma ferramenta criativa precisa saber o que a licença permite naquele canal. Uma pessoa que vê uma imagem na busca do ChatGPT precisa conseguir distinguir a procedência da imagem das evidências para o texto que a acompanha. Os acordos inserem fornecimento licenciado nos dois fluxos de trabalho. Eles não mostram que imagens da Getty apareçam em respostas patrocinadas do ChatGPT, nem que qualquer um dos operadores verifique automaticamente todo uso posterior no momento da exibição.
Os metadados podem ir mais longe que o aviso visível
O Google adicionou um botão no Gemini e no Flow para remover marcas d’água visíveis, mantendo marcadores invisíveis SynthID e metadados C2PA. A decisão preserva sinais legíveis por máquinas, ao mesmo tempo que permite ao usuário não ver nenhuma marca imediata na mídia. Pesquisadores também demonstraram a remoção de marcas d’água de imagens de IA e sua adição a imagens feitas por humanos. A adoção da C2PA enfrenta uma lacuna distinta: as câmeras não oferecem suporte consistente a seus metadados. Uma credencial é evidência útil quando está presente e intacta, não uma garantia de que todo arquivo sem marca foi feito por humanos ou de que todo arquivo marcado é autêntico.
Um operador que monta uma resposta precisa tomar decisões em várias fronteiras. Ele pode preservar o registro de origem disponível de uma imagem; verificar uma licença em relação ao uso pretendido; marcar um posicionamento como patrocinado; e anexar citações às alegações factuais que a resposta de fato faz. Cada verificação pertence a um objeto ou decisão diferente. Assinar a fotografia não assina a frase gerada ao lado dela, e recuperar uma fonte não autoriza a fotografia.
A Getty pode negociar acesso mais rápido do que pode resolver o mercado
A Getty tentou outras formas de defender e ampliar sua posição. Ela retirou suas principais alegações de violação de direitos autorais no Reino Unido contra a Stability AI. A Getty não encerrou sua disputa sobre direitos de imagem; ainda tem outras alegações no Reino Unido e um caso separado nos Estados Unidos para levar adiante.
No registro da cobertura, a Competition and Markets Authority do Reino Unido levantou preocupações sobre a proposta de fusão de US$ 3,7 bilhões da Getty com a Shutterstock em outubro de 2025. A Getty encerrou o acordo em julho de 2026 depois que o regulador condicionou a aprovação à venda, pela Shutterstock, de seu negócio editorial. Os acordos da Getty com TikTok e OpenAI oferecem uma rota diferente: negociar permissão onde as imagens entram em uma ferramenta criativa ou em um produto de descoberta, sem antes combinar dois catálogos. Os termos públicos não estabelecem quanto valor essas integrações trarão para a Getty.
Perguntas frequentes
O acordo da Getty com a OpenAI autoriza a OpenAI a treinar modelos com imagens da Getty?
O acordo descrito disponibiliza a biblioteca da Getty para recursos de busca e descoberta do ChatGPT. A descrição publicada não estabelece uma autorização de treinamento, portanto essa permissão não deve ser inferida do acordo de busca e descoberta.
Quanto a Getty ganhará com suas integrações com TikTok e OpenAI?
Os termos públicos descritos aqui não divulgam o valor que a Getty receberá de nenhuma das integrações. Eles estabelecem acesso a fornecimento licenciado em fluxos de trabalho criativos e de descoberta, não o retorno financeiro.
Onde exatamente o Google exibirá suas divulgações ampliadas de anúncios de IA?
O Google disse em julho de 2026 que divulgaria automaticamente anúncios feitos com suas ferramentas de publicidade de IA generativa, mas o material aqui não especifica um design ou posicionamento universal de rótulo em todos os produtos e formatos. O rótulo separado de “patrocinado” do AI Mode diz respeito a posicionamento pago.
Os acordos da Getty com Nvidia, TikTok e OpenAI usam um sistema comum de gestão de direitos?
Nenhum sistema comum é estabelecido pelos anúncios. Os acordos cobrem contextos diferentes — ferramentas de IA treinadas com imagens de banco da Getty, ferramentas criativas para anunciantes e busca e descoberta no ChatGPT — e os termos publicados não mostram uma verificação unificada de direitos em usos posteriores.
Marcos de licenciamento e mercado da Getty
- 2019 — Adobe, Twitter e The New York Times Company anunciaram a Content Authenticity Initiative.
- Novembro de 2024 — O TikTok adicionou conteúdo da Getty ao Symphony Creative Studio voltado a anunciantes.
- Outubro de 2025 — A Competition and Markets Authority do Reino Unido levantou preocupações concorrenciais sobre a proposta de aquisição da Shutterstock pela Getty por US$ 3,7 bilhões.
- Junho de 2026 — A Getty licenciou sua biblioteca de imagens para a OpenAI usar em recursos de busca e descoberta do ChatGPT.
- Julho de 2026 — A Getty encerrou sua fusão com a Shutterstock depois que a CMA condicionou a aprovação à venda, pela Shutterstock, de seu negócio editorial.
A Getty pode licenciar a imagem antes de um assistente exibi-la. O operador ainda precisa marcar a recomendação paga ao lado dela.